Senta aqui...

Mas senta aqui e me conta o quanto você sofreu e ainda sofre por não ter mais as minhas piadinhas bobas pra tentar te tirar desse buraco chato que você se enfia, onde tudo e todos são um problema.

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Senta aqui e me conta. Me fala o que aconteceu com nós dois. Quero ouvir o seu lado da história. Saber quando pra você tudo começou a cair. A perder o sentido. Me conta que doeu muito me perder e que você se arrepende de todos os seus erros. Não precisa me contar os meus. Você já enumerou eles pra mim tantas e tantas vezes. Já sei todos em ordem alfabética ou do mais insuportável até aquele que até pode parecer charmoso. Agora quero saber de nós dois. O que fomos pra você? O que ficou?

Quer saber? Não importa.
Mas senta aqui e me conta o quanto você sofreu e ainda sofre por não ter mais as minhas piadinhas bobas pra tentar te tirar desse buraco chato que você se enfia, onde tudo e todos são um problema.
Eu lutei contra tantos que me diziam que você não era pra mim. Batalhei tanto pra mostrar pra todos que você poderia sim ser o homem da minha vida. Mas a verdade é que eles estavam certos. E eu fui muito burra de achar que eu sabia mais que todos. Mas eu teria brigado com o mundo inteiro se fosse preciso. Parando pra pensar, um dos meus defeitos era achar que eu estava sempre certa. Orgulhosa e teimosa. Não é? Pois é. Você estava certo. Olha o tempo que passei tentando provar o meu ponto de vista? Que você podia ser um cara legal. Eu admito agora. Cresci. Já sei que não posso e nem quero estar sempre certa. Você não é e nunca foi o cara certo. Não pra mim.
Nós perdemos muito tempo tentando segurar o barco na superfície. Já teríamos afundado há muito tempo se não fossemos tão teimosos.
Burrice. Teimosia boba essa. Mas tudo bem. Foi bom por um tempo.

Brigaria sempre por você… Não foi esse o meu erro. Eu lutei por você, por seu amor. E essa briga é daquelas que não tem como ganhar. Já começo perdendo de WO. E mesmo que nós dois tenhamos acreditado que eu venci, e que você, afinal, me amava, nada foi realmente um prêmio. Troféu “enganados do ano”! Você nunca me amou. Nem sei se você é capaz disso. Sério. Acho que amor não é pra qualquer um. Ele exige uma certa dose de altruísmo que você não tem. Mas isso também pode ser papo de mulher com dor de cotovelo. Talvez você seja o homem mais cheio de amor do mundo inteiro. Eu duvido. Mas eu desisti de estar sempre certa, lembra?!
Enfim. Senta aqui e não me conta nada. Não quero ouvir mais nada de você. Agora me ouve um pouco. Se quiser. Você tem todo direito de sair andando e me deixar falando sozinha.
Eu sofri. Putz. Eu sofri muito. Muito mesmo. Foram tantos anos alimentando aquela minha mania de estar sempre certa e provando pra todos e pra mim mesma que você era o certo pra mim. Mas passou rápido. Incrivelmente rápido. A dor. Ficaram outros sentimentos mais custosos de abandonar o barco da minha cabecinha de vento. Hoje na minha cabeça tem tanta coisa que nem tem espaço pra teimosias.
A dor passou. Hoje eu sou feliz. Como eu nunca fui. Talvez por que hoje eu gasto as minhas piadas bobas e a minha capacidade de rir de tudo, com alguém que também me faz rir de tudo. E com tanta gente que gosta de mim.
Senta aqui. Eu queria poder te ensinar tudo que aprendi com a porrada que você me deu. Acho que você poderia ser tão mais feliz. Mas quer saber? Você já não é problema meu. E quem sou eu pra achar que posso melhorar alguma coisa na sua vida. Vou te deixar em paz. Nem senta aqui. Não temos mais nada pra conversar. Fica com a sua história que eu fico com a minha. Seja feliz.

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*imagem: Pixabay

Clara é escritora, divorciada, mãe, apaixonada, feliz. O seu maior prazer é deixar as palavras brincarem na sua cabeça e assumirem o controle. Recomeça todos os dias, se equilibrando em mágoas e amores.