Como ficam os filhos diante da separação do casal?

É o casal que se separa: marido e mulher, e não o pai e a mãe.

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Cada vez mais, a separação de casais volta a ser tema de debates e a preocupação dos pais com os filhos é inevitável.

Sempre há a questão de como irão reagir, e como os pais deverão cuidar deles e ajudá-los a entender a nova realidade.
A situação é delicada para todos os envolvidos. E por isso é preciso clareza para falar do assunto.

Um casal passa a ser “família”, quando vem o primeiro filho. E, como família, adquire novas  funções: cuidar e zelar  para que ele cresça e se desenvolva, se torne um adulto, maduro e independente.

-Bem, mas e quando esse laço se rompe? Como esses pais podem cuidar desses filhos?

É preciso entender o que acontece com os filhos quando ocorre a separação do casal.
O mais importante: é o casal que se separa, marido e mulher, e não o pai e a mãe.
A família, que lhes dava segurança e estrutura, deixa de existir como tal, e um novo modelo tem que ser criado. O amor existente nessa estrutura e em cada uma das figuras dos pais precisa ser garantido.
O motivo do término da relação do casal, na medida do possível, precisa ser real e verdadeiro para as crianças, de acordo com  idade de cada membro da família e usando linguagem adequada.
A segurança e a estrutura da nova família, agora separada, necessita ser restabelecida rapidamente.
As crianças acreditam  que seus pais devem ficar juntos para sempre, e vão nutrir essa vontade por muito tempo, até que a realidade deles com a nova estrutura esteja muito bem estabelecida e volte a funcionar a contento.
Os problemas do casal não podem, de maneira alguma, atingir as crianças. Precisam ser resolvidos fora da relação familiar. E a relação dos pais  precisa ser mantida em harmonia na medida do possível para benefício de todos.
É muito comum que os pais usem os filhos, como objeto na briga, como cúmplices ou como amigos com quem desabafam sobre o ex, ou a ex. Muitas vezes como trunfos para conseguir pensões adequadas ou vultuosas, ou para justificar o não pagamento da mesma.  É comum que os valores nas questões relacionadas à educação se tornem divergentes. E é comum a disputa pelo amor dos filhos. Essas questões se eternizam na vida familiar. E é comum surgirem problemas com as crianças.

É sempre bom ficar de olho nos quietinhos. Algumas ficam silenciosas e parecem aceitar tudo que lhes é proposto. Normalmente isso significa que tudo corre bem com elas, mas, ao contrário, pode indicar que algo não vai nada bem, e elas não sabem como pedir ajuda ou não encontram espaço para se expressar.
Outros ainda procuram chamar atenção sobre si, com a intenção de unir os pais novamente.
Alguns ficam muito ansiosos ou angustiados com a nova vida. E nesse caso também é preciso observar por que isso ocorre. Em geral, isso costuma acontecer quando a separação, ou o ex casal, tem questões não resolvidas, e isso deixa as crianças angustiadas, ansiosas, tristonhas, deprimidas, excitadas além do normal, estudiosas demais, comilonas em exagero, ou inapetentes, insones, ou passam a ir mal na escola. Quando o ambiente se restabelece e passa a garantir o mínimo necessário  de amor e proteção, normalmente a criança se acalma, e tudo fica bem com ela.

Acredito que a maior dificuldade encontrada pelos casais quando se separam é entender que é o casal, a relação entre o  marido e a mulher, que chegou ao fim. A relação pai e mãe para estes filhos precisa ser mantida da melhor forma possível, com harmonia, entendimento, compreensão e parceria. Pois esses filhos precisam de pais unidos para continuarem crescendo em paz, com confiança e muito amor.
Enfim, quando essas questões surgem e os pais estão preparados para lidar com elas, tudo acaba por se acomodar e a vida segue e volta para os eixos.
Mas, se problemas persistirem, o melhor é fazer uma avaliação da situação, e procurar  a orientação de um bom profissional.

Lóla Sarmento – Psicóloga

* Conteúdo originalmente publicado na revista Flipboard e modificado com autorização da autora.

Sou Psicanalista! Estudei no Centro Winnicott de São Paulo e fiz um longo percurso de estudos até chegar a completar minha formação como psi. Hoje atendo adultos e oriento pais. Além disso vez outra escrevo sobre tudo isso, mas não me considero escritora, apenas utilizo mais essa forma de comunicar com o público. Atendo nos jardins na rua Caconde 172! Meu email: lolasarmento@ gmail.com