Ser intensa é um problema?

32 – 32 anos, 32 homens, 32 tatuagens- Capítulo 31

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Photo by Tanja Heffner on Unsplash

 

Na busca por um namorado, eu ouço dos meus amigos sempre os mesmos conselhos. Sou capaz de repeti-los palavra por palavra, tantas as vezes em que eles foram martelados na minha cachola: “Você é muito intensa! Não pode dar na primeira noite, não pode falar o que sente e quer, não pode ser direta desse jeito… Só quando você desencanar dessa ideia de encontrar alguém é que a coisa vai rolar”.

Diante de tal ladainha, minhas respostas não variam:

  1. Ser intenso é um traço de personalidade. Se eu fingir que não sou intensa, quem conquistará o homem que me interessa será uma personagem, não eu. E quando eu me mostrar de fato – coisa que cedo ou tarde acontecerá – qual não será o susto desse homem ao topar com um cavalo selvagem sob a tempestade em vez do pônei no jardim da Scarlett O’Hara, com o qual eu o seduzi?

 

  1. Se eu estiver a fim – de sexo, de me enganar, de amar alguém –, eu vou transar na primeira noite. Se um cara me julgar pela velocidade com a qual eu tirar minhas roupas, está na cara: não vai dar certo.

 

  1. Quanto a desencanar de encontrar alguém, bem, então vou terminar meus dias sozinha, porque acho uma sacanagem dos deuses alguma coisa boa só rolar quando a gente já sofreu tanto, mas tanto, mas tanto que chegou a ponto de desistir.

 

Eu me recuso a acreditar numa maneira certa e outra errada de se procurar um namorado. Se as pessoas não são iguais por que a procura romântica deve obedecer a um padrão?

 

Eu conheci um homem – apenas um em toda a minha vida – que, no espaço de algumas horas, despejou o seguinte discurso no meu colo: “Eu sei logo de cara se quero ou não ficar com alguém. Quero ficar com você. Não só hoje – e não ouse achar que eu estou blefando só para te levar para a cama. Eu quero namorar”. Enquanto eu o ouvia, pensei: “Esse cara pode ser um golpista. Ou é tão doido quanto eu”. Mas, hoje, sei que ele não é golpista nem doido. Esse homem foi apenas ele mesmo: direto e intenso. Seu nome era Fábio. Era não, é. E agora eu volto a me lembrar dele.

 

Stella Florence é escritora, autora dos sucessos "Loucura de Estimação", “Os Indecentes”, "Eu me possuo" entre outros livros que tratam do universo feminino. Stella é cronista veterana e parceira do Exnap! www.stellaflorence.net