Sexo

Capítulo 34 – O Diabo que te Carregue

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A fase em que você se fez de vítima para você mesma passou. Você não aponta mais o dedo para o seu ex como se ele fosse o culpado mor dessa história. Apesar de toda mágoa, raiva e dor, você sabe que foi tão responsável por essa separação quanto ele. E sua contribuição não foi nada pequena para que tudo degringolasse entre vocês. Ela não foi pequena, embora possa ser resumida num único ponto: sexo.

A verdade é que, a partir do terceiro mês de namoro, seu interesse por aquele jovem de cabelos revoltos caiu incrivelmente. Transar ou não com ele não fazia diferença – a não ser que você estivesse ovulando, período em que treparia até num porco espinho.

Bem, então faça as contas: de um lado são três meses de namoro com a libido funcionando a todo vapor, do outro lado estão dois anos de namoro e sete de casamento. Como você pôde ficar oito anos e nove meses com alguém sem ter lá muita vontade de transar? É óbvio que aí já havia um problema, digamos, estrutural na relação. Então como vocês dois puderam se enganar tanto e durante tanto tempo?

A resposta parece cínica, mas não é: vocês se davam bem. Vocês tinham tantos encaixes, mas tantos, que o sexo parecia um detalhe. Para ser mais exata, não é que vocês não se encaixavam sexualmente, o problema era a freqüência desse encaixe. A baixíssima freqüência desse encaixe: basicamente uma vez por mês, quando você ovulava, período em que treparia até num porco espinho.

Houve um momento, depois de um ano e meio mais ou menos, em que seu ex tocou no assunto. Sim, ele percebeu o problema muito antes de você e colocou a questão com todas as letras na mesa. Mas, na época, você estava tão focada em se casar e ter filhos e cumprir todo o esquema supostamente obrigatório para uma mulher que só faltou você espancá-lo com o olhar: “Como assim, existe um problema na nossa vida sexual?”

Diante das fagulhas que saíam dos seus olhos e da eterna verdade “nós temos tantos encaixes”, ele achou melhor deixar aquele assunto para depois: talvez fosse apenas uma fase. E assim ele (e você) se escorou em desculpas: talvez seja o estresse do casamento, talvez seja o estresse da primeira gravidez, talvez seja o estresse do primeiro filho, talvez seja o estresse de voltar a trabalhar, talvez seja o estresse da segunda gravidez, talvez seja o estresse do segundo filho, talvez seja o estresse da macarronada fria, do programa de domingo, do carro quebrado, da unha encravada, do tempo chuvoso, da barata que apareceu na cozinha mês passado!

Então, um dia ele disse, ele tomou a atitude, ele mexeu no vespeiro. Se você for realmente justa, verá que ele não é um Hamlet absoluto, um homem que não consegue tomar uma decisão: seu ex decidiu te confrontar uma, duas, três vezes. Ele foi verdadeiro, você não.

Você não queria saber, não queria ouvir, não queria que alguém te lembrasse que você não vivia como uma mulher inteira, uma mulher que olha para o homem dela e tem desejo e tem vontade. Você não queria enxergar a semicastração em que se enfiara em nome da manutenção do status de casada. Mas ele foi forte o bastante para, mesmo amando você, dizer: “Eu não estou feliz assim”.

Naquelas oportunidades você o crivou de clichês: “os homens são todos iguais”, “vocês só pensam em sexo”, “vocês são uns egoístas”, “eu aqui me matando para cuidar das crianças e você só preocupado em transar”.

Tudo fuga, tudo desvio, tudo medo. Seu medo de se confrontar com o seu desejo. E seu desejo era sair de casa e, em uma semana, transar com sete homens diferentes. Seu desejo era arrastar aquele seu colega de trabalho para o motel. Seu desejo era dar em cima do filho da vizinha. Seu desejo era lamber peles e pêlos diferentes – e não só no período da ovulação, quando você treparia até em porco espinho.

Você amarrou, amordaçou e trancou seu desejo num porão escuro, na esperança que ele morresse sem fazer alarde. No entanto, a cada estação preso, não só ele não morreu, como a força dele aumentou à medida que a fome crescia. E quem teve a ousadia de destravar esse porão, não foi você: foi seu ex. Agora me diga: Quem, nessa história, foi realmente covarde?

 

 

 

 

 

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**Esse conteúdo foi originalmente publicado no livro: O Diabo que te Carregue, da autoria de Stella Florence e foi reproduzido aqui com a devida autorização e revisão da autora.

Stella Florence é escritora, autora dos sucessos “Os Indecentes”, "32", “Hoje acordei gorda”, entre outros. Stella é cronista veterana e parceira do Exnap! www.stellaflorence.net