Simplesmente mulher

Da mesma forma que é maravilhoso descobrir toda a independência que a mulher adquiriu ao longo desses anos, é também muito cansativo.

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Ser mulher, nos tempos atuais, é viver um dilema muito grande. Da mesma forma que é maravilhoso descobrir toda a independência que a mulher adquiriu ao longo desses anos, é também muito cansativo. Diariamente vejo mulheres lutando por uma igualdade que em muitos lugares, isso ainda não existe. O comportamento dos homens mudou bastante, mas ainda presencio uma desigualdade grande e mulheres desgastadas pela árdua rotina ou julgamento alheio.
Alguns julgamentos são feitos por outras mulheres, que se incomodam e expõe essa temática.
Como por exemplo uma mulher que foi abusada sexualmente, é muito comum escutarmos: “ah, mas ela deve ter provocado para isso acontecer; deve ter usado roupas que insinuavam que ela queria algo”.
Esperamos que as mulheres sejam fortes, que estejam disponíveis para qualquer situação ou problema, que não falhem, não reclamem e quando percebemos, estamos carregando o mundo nas nossas costas, sem saber o que fazer com esse peso. O grande problema não é o que fazer com esse peso, e sim porque vamos aceitando esses pesos na nossa vida? Essa reflexão é importante para percebemos que muitas vezes, nós mesmas achamos que podemos dar conta de tudo, e de verdade, não damos. E aí vem a culpa e nos atormenta como um cão bravo que não aceita nem um carinho e já parte para o ataque.
Muitas mulheres continuam escravas de situações que as aprisionam, numa realidade que poderia ser diferente, poderiam ser mais valorizadas e amadas. E em algumas situações é preciso ter a coragem para se desfazer daquela escolha que não está trazendo saúde mental e emocional.
Um dos primeiros sinais de que algo não está indo bem é avaliar sua alegria, sua vontade de fazer as coisas, seu prazer pela vida. Quando você começa a perceber que não sente vontade para curtir suas escolhas, tem algo errado, é hora de procurar ajuda para aprender a lidar de uma forma diferente, sem se machucar demais, aprendendo a pontuar seu valor e exigir respeito ou escolher novos caminhos. Consequências sempre iremos ter, umas boas e outras não tão boas, mas o que podemos tirar dos momentos difíceis são a experiência e sabedoria.
O primeiro passo para mudar isso é quebrar algumas crenças, é aprender a se valorizar e entender o que essa culpa representa, só assim podemos nos livrar de todas as amarras e couraças que introjetamos ao longo do nosso desenvolvimento. Precisamos também deixar de ter medo de nos posicionar e aprender a pedir ajuda, isso não nos torna vulneráveis, e sim humanas.
Como diz Erasmo Carlos na sua música Mulher: “Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda. Eu que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com elas”.

?Patrícia é Psicóloga, atende adolescentes e adultos em São Paulo capital, na Vila Clementino e no Morumbi. Atualmente é casada após passar por um processo de divórcio. Fez especialização para trabalhar com pacientes adultos e que necessitam de uma comunicação mais assertiva e positiva. Trabalhou na Fundação Julita por 2 anos como psicóloga no atendimento à famílias, crianças e funcionários da fundação. É extremamente atenciosa e confiante nas relações humanas. patricia@florenzano.com.br