Sobre as mulheres, hormônios e separações

O ser humano nasce pronto, mas incompleto. Essa incompletude se resolve na vida e nas relações sociais. Ser mulher, assim como ser homem, mais do que um fator biológico, é um fenômeno social (Viviane Mosé). E como fenômeno social, emocional e existencial, o casamento tem a ver com nossa bioquímica.

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O ser humano nasce pronto, mas incompleto. Essa incompletude se resolve na vida e nas relações sociais. Ser mulher, assim como ser homem, mais do que um fator biológico, é um fenômeno social(Viviane Mosé). E como fenômeno social, emocional e existencial, o casamento tem a ver com nossa bioquímica.

Nossos hormônios interiores e exteriores (feromônios) mudam quando nos aproximamos de alguém. É comum dizer que esta pessoa me faz bem (nos libera endorfinas) ou nos faz mal (nos faz liberar, adrenalina, cortisol e até excessos de acido clorídrico no aparelho digestivo, mais precisamente no estômago). Com quem gostamos nos curamos, por quem odiamos, adoecemos.
A esta interação entre razão (Coeficiente racional ou QI), emoção (Coeficiente Emocional ou QE) e nossa alquimia (Coeficiente Hormonal) chamamos de Inteligências.

Muitas vezes ao nos apaixonarmos afirmamos: foi uma química muito forte que rolou entre nós dois. E é correto dizer que certas pessoas mexem conosco emocional, racional e bioquimicamente. Assim que experimentamos o sabor do primeiro beijo, a sensação de arrepio ao primeiro toque …concluímos que esta é a Pessoa. Namoramos e a química cresce. Noivamos (Ops! ainda se faz isto?) e por fim juramos ficar juntos até que a morte nos separe. Hoje, nem tanto até ela, mas sim até que a vida nos separe.

E quando isto acontece, que se passa com nossa Inteligência racional, emocional e química?

Não nos separamos somente dos papéis sociais, mas da própria subjetividade que nos uniu e que se decompõe a partir dos modelos quebrados.
Estas separações se fazem (e as vezes se desfazem) de acordo com a época em que estamos do casamento, da cultura, da idade de ambos e, muito importante, das necessidades.

O mal que a sociedade fez aos casais ao longo dos séculos foi que nas mulheres a biologia é rica em ciclos e hormônios. Ciclo menstrual, ciclo grávido puerperal e climatério com suas fases. Em cada etapa e para cada papel um hormônio. Para a feminilidade os estrogênios, para a conquista, principalmente na ovulação, os androgênios. Para a maternidade os progestagênios e a prolactina.
Todos em níveis diferentes a cada dia do mês. E para o climatério a queda da ciclicidade e a diminuição de todos.
Não foi assim que a natureza fez aos homens, um único hormônio e um único papel social, um único modelo: testosterona e competição, diga-se poder.

As implicações disto é visto no QI: homens são mais racionais. No QE: homem não chora. E no QH: homem não falha, está sempre alerta.

Ao contrário, com as mulheres, mesmo a sociedade não sendo mais tão opressora (o antigo lugar de santa, dona de casa, esposa casta, mãe e finalmente avó) o QI varia conforme mudam as fases do QE e do QH.
E durante o processo de separação todos se desequilibram ao mesmo tempo.

Nas lutas que travam é comum ocorrerem fases de reatividade hormonal que geram desejos de vingança (adrenalina) não somente contra os homens, mas contra a maternidade (queda de progesterona e consequentemente TPM). Há também descuido com os trabalhos domésticos(queda da Serotonina e depressão) e fragilidade na autoimagem(queda de estrogênios e ganho de peso).

Desaparece a alquimia que unia (fim dos ferormônios) a sensibilidade ou tudo que nos lembre aquilo que um dia fomos. E terminamos nos tornando um ser alterado na dependência de como é esta fase de luta na separação.

Veremos que seguindo a esta fase (se o processo foi bem conduzido em suas inteligências) podem vir grandes ganhos.

Eliezer Berenstein é médico e parteiro diplomado e estudioso de mulheres (feminólogo). www.tpm.com.br