Sobre amor, escolhas e traições... e sorvetes.

Trair é uma escolha cruel. Porque interfere com as escolhas de outra pessoa.

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Nossa vida é feita de escolhas. A partir do momento que acordamos e escolhemos sair da cama (ainda que a outra opção seja perder o emprego ou aquela prova super importante, ou o café enquanto ainda está fresquinho…) escolhemos que roupa usar, se vamos comer pão ou tapioca, com queijo ou com geléia, iogurte de morango ou de laranja.
Ainda que tenhamos apenas uma opção. Em algum momento fizemos a escolha. Na noite anterior quando escolhemos não ir ao supermercado ou quando escolhemos comprar apenas o iogurte de morango.
E sempre temos a opção de não fazer. Não comer. Não sair da cama. Não amar. Não sofrer. Não ser feliz.
Escolhemos tanto e tantas coisas diferentes o tempo todo que já nem percebemos. Vamos vivendo nossas escolhas automáticas. Sem perceber. Sem nos dar conta de que somos responsáveis por cada uma delas. Das mais triviais às mais complexas.
Relacionamentos também são escolhas. Escolhemos amar alguém. Escolhemos ser parceiros. De vida ou de cama. Estar em um relacionamento ou estar em vários? E assim como tudo na vida, relacionamentos têm consequências. Trair é uma escolha, e, logicamente, também tem consequências.
O problema é que aquela história de escolhas automáticas muitas vezes nos faz tomar atitudes sem pensar nesse detalhe. As tais consequências.
Escolher estar em um relacionamento com alguém é abrir mão de estar com outras zilhões de pessoas. Tipo quando escolhemos qual sabor de sorvete vamos tomar. Até poderíamos tomar todos. Mas escolhemos tomar apenas uma bola. E escolhemos um sabor. Seja por que era o mais saudável, ou o mais gostoso, ou o sabor que sabemos que não vamos enjoar. Escolha segura ou não, nós escolhemos.
Escolhemos o cinema aos domingos, a companhia nos fins de semana. Escolhemos segurança, conchinha. Proteção. Escolhemos a deliciosa sensação de sermos amados. Escolhemos beijos, abraços e cafuné.
Mas, a menos que o seu acordo com o seu parceiro seja outro, a consequência dessa escolha é abrir mão dos tais outros zilhões de sabores de sorvete!
E quanto mais consciente é essa escolha, menos arrependimento ela gera.
Trair é uma escolha cruel. Porque interfere com as escolhas de outra pessoa. Que te ama, que te escolhe todos os dias.
O que sempre me doeu em ser traída foram as escolhas feitas. Milhões delas. Escolher comer outra pessoa não era nem de longe a mais dolorosa. Escolher mentir pra mim, escolher não estar comigo, escolher dormir com o telefone escondido, escolher se trancar no banheiro pra atender o telefonema da amante… Escolher não não me escolher.
Sexo não é a maior traição. Pelo menos pra mim. Acho até compreensível sentir tesão por outra pessoa. Acho até aceitável fazer uma ou outra escolha errada.
Somos humanos. Erramos. Mas precisamos assumir as consequências.
Podemos escolher trair. Mas precisamos entender que isso pode significar magoar muito alguém que a gente ama. Isso pode significar assistir TV sozinho, isso pode significar nunca mais poder escolher aquele sabor de sorvete. Mas são escolhas…. Só isso.

 

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*Photo credit: Katie Tegtmeyer via Visual Hunt / CC BY-SA

 

 

Clara é escritora, divorciada, mãe, apaixonada, feliz. O seu maior prazer é deixar as palavras brincarem na sua cabeça e assumirem o controle. Recomeça todos os dias, se equilibrando em mágoas e amores.