Sobre o desafio da Baleia Azul e o desafio de manter um diálogo aberto com nossos filhos

No caso de pais separados, é preciso ter um cuidado maior, pois uma das partes ficará com esse filho por menos tempo, e esse tempo precisa ser saudável e gostoso e não uma obrigação.

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O desafio da “Baleia Azul” tem provocado desespero em muitos pais e educadores, mas como combater esse jogo on line entre os adolescentes que surgiu na Rússia e tem como tarefa passar por 50 desafios sendo o último cometer suicídio?

Primeiro é importante observar o comportamento desse adolescente, ver quais são os valores recebidos na sua infância, ver como é a relação com a sua família, ver se os pais estão presentes na educação e orientação.

A grande maioria dos jovens que aceita esse tipo de desafio se sente calado nos próprios sentimentos, refém de si, sem motivo para viver. Muitos adolescentes não conseguem elaborar suas tristezas, não conseguem dizer o que os incomoda, tem dificuldade de se reconhecer, e é nessa hora que o desafio da “Baleia Azul” entra como uma luva, pois através de cada etapa, é como se o adolescente “pudesse falar”, ou seja, ele fala através dos atos, das imagens criadas no seu corpo. É um pedido de socorro para o outro perceber e assim tirá-lo do sofrimento.

Na infância vivemos como se pertencêssemos ao outro: “sou da mamãe”, “bonitinho da vovó”, ao longo do nosso crescimento entramos na adolescência e percebemos que não somos mais de ninguém, ficamos sem referência, sem espaço, isso causa uma angústia, mas vamos aprendendo a lidar com ela, com a liberdade de poder fazer muitas outras coisas que na infância não era viável. E muitas vezes, é nesse momento, que o jovem se depara com a solidão, com pensamentos de como seria se morresse, quem sentiria sua falta. Pensar nisso o torna importante.

Alguns adolescentes pensam muito na morte na adolescência, se fecham, se distanciam dos outros, dos amigos, da família, dos pais; passam a ter dificuldade de demonstrar afeto, carinho, a interagir com outras pessoas, a reconhecer sentimentos, vontades; ocorre um isolamento quase que total, vontade de ficar trancado no quarto, perda de apetite e tristeza aparente.

O que os pais precisam fazer é prestar atenção nos filhos e conversar, mas não a respeito de problemas, conversar sobre tudo, isso fará com que esse adolescente se sinta a vontade para expor seus sentimentos e experiências, e com isso neutralizar esse pensamento; introjetar novos valores, novas ideias, novas conquistas, novas amizades na sua vida. Esse adolescente precisa enxergar o que de bom há no seu dia a dia, e não o que ele fracassou.

No caso de pais separados, é preciso ter um cuidado maior, pois uma das partes ficará com esse filho por menos tempo, e esse tempo precisa ser saudável e gostoso e não uma obrigação. Normalmente a criança ou o adolescente percebe quando não é bem vindo em um ambiente ou quando não é agradável, por isso muitos acabam não querendo ir para a casa da mãe ou do pai e às vezes essas visitas vão se diminuindo. Pais separados precisam estar engajados na criação e orientação dos filhos.

O fracasso pode ter 2 caminhos, o do desespero, recuo e abandono de determinada situação mas também o de reconhecer e avaliar os erros e tentar novamente, escolher outros recursos e seguir em frente. Fracassar faz parte da vida e não podemos entender isso como algo negativo, ou viveremos eternamente frustrados.

?Patrícia é Psicóloga, atende adolescentes e adultos em São Paulo capital, na Vila Clementino e no Morumbi. Atualmente é casada após passar por um processo de divórcio. Fez especialização para trabalhar com pacientes adultos e que necessitam de uma comunicação mais assertiva e positiva. Trabalhou na Fundação Julita por 2 anos como psicóloga no atendimento à famílias, crianças e funcionários da fundação. É extremamente atenciosa e confiante nas relações humanas. patricia@florenzano.com.br