Solidão romântica

Só existe uma coisa que pode aliviar a solidão romântica: um romance.

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Photo by Asdrubal luna on Unsplash

 

Não se preocupe: eu não vou ficar discorrendo sobre a solidão romântica como se ela fosse uma tese de doutorado nem dizer que você precisa se amar para nunca se sentir sozinha (se o George Clooney te amasse também não seria nada mal, não é?). Da mesma forma, jamais direi que a falta que você sente do amor de um homem pode ser suprida pelo amor a Deus, seus amigos ou seus animais de estimação. Por quê? Porque isso seria a mesma coisa que afirmar “quando você tiver fome, tome um banho”: são necessidades diferentes!

Eu tenho náuseas quando alguém me diz, “Ora, por que você está triste? Você tem uma filha linda!”. Sim, eu tenho uma filha linda que amo profundamente – e o que isso tem a ver com a dor de levar um fora? Posso chorar ou estou proibida? Será que certos autores de livros de autoajuda vão me fuzilar num paredão por eu afirmar que não podemos substituir uma necessidade por outra?

A pílula da felicidade que eles não cansam de nos vender não passa de um placebo. A necessidade de algo que transcenda a matéria não pode ser substituída por uma ida ao shopping (e vice-versa) da mesma forma que o fato de alguém, como eu, ter uma filha linda, não substitui a dor que se sente ao ter o coração partido em 220 mil pedaços. Usando português claro: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Algumas pessoas apontam o trabalho voluntário como remédio para a solidão romântica. Não é. O voluntariado preenche a necessidade que temos de doação pessoal. Recomendo vivamente a manutenção dessa experiência riquíssima que abre horizontes e cria luminosas teias de simpatia. No entanto, repito, isso não substitui o roçar sedutor da barba mal feita do homem que você deseja. Da mesma forma que o roçar sedutor da barba mal feita do homem que você deseja não substitui sua necessidade de doação pessoal.

Só existe uma coisa que pode aliviar a solidão romântica: um romance. Só existe uma coisa que pode aliviar a falta que sua família faz: entrar em contato com ela. Só existe uma coisa que alivia a vontade de ter um animalzinho: adotar um. Cada necessidade no seu devido lugar, com o seu respectivo alívio. O resto é pílula da felicidade vendida por pessoas que se sentem tão sozinhas quanto eu e você – mas que têm muito mais dinheiro na conta bancária do que eu e você.

Stella Florence é escritora, autora dos sucessos "Loucura de Estimação", “Os Indecentes”, "Eu me possuo" entre outros livros que tratam do universo feminino. Stella é cronista veterana e parceira do Exnap! www.stellaflorence.net