Soltando as Amarras e Ajustando as Velas

Aos 47 anos, a terrível “meia idade” chegou! Aliás, acho que ela já tinha chegado há tempos, eu que não queria ver que ela estava ali, começando a dar sinais de vida. E esta crise, aparentemente, veio para embaralhar minha vida.

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Oi, sou a Gabriela. Multi-facetada como todas vocês, mulher, mãe, profissional, artista de circo, “psicóloga” e pau para toda obra!
Aos 47 anos, a terrível “meia idade” chegou! Aliás, acho que ela já tinha chegado há tempos, eu que não queria ver que ela estava ali, começando a dar sinais de vida. E esta crise, aparentemente, veio para embaralhar minha vida.

Não, não vou sair jogando tudo para o alto! Calma! Sou profissional da área de RH, trabalho muito, numa empresa de tecnologia. Mas já passei por vários segmentos e tamanhos de empresas. E senti que era hora
de procurar ajuda para ajustar as velas. Mesmo sendo coach e tendo atendido alguns profissionais com diferentes anseios, vocês sabem que “em casa de ferreiro”…

Então resolvi procurar um coach profissional. As primeiras sessões foram interessantes mas mornas. O que vou fazer com todas as competências que adquiri ao longo da carreira para conseguir garantir uma longevidade pessoal e profissional? E não conseguia pensar fora da caixa do que faço no dia-a-dia. Tentei
ensaiar uns textos, sempre adorei escrever.
Mas um dos meus defeitos (?) é não conseguir vender aquilo em que não acredito e sentia que estava vendendo uma farsa – eu mesma! Claro que não funcionou! Aí ontem, entreguei os pontos! Abri o coração – falei de como me sentia perdida porque aquilo não fazia sentido para mim.

E não é que algo clicou finalmente? Ela começou a me fazer perguntas tão simples que eu me perguntava onde foi que eu me afundei na mesmice, me deixei parar de brilhar – e olha que meus olhos brilham mesmo quando tenho uma ideia fora da caixa, quando algo conecta. E minha energia sobe a 1000%!
Não foi simples lembrar o que me dá prazer. Já nem sei quando foi que afundei os pés na grama e olhei a natureza sem hora para levantar, para arrumar os brinquedos, para pegar alguma roupa do chão ou para
correr de reunião em reunião.

E aí parei de brigar comigo e percebi que algumas coisas não fazem mais sentido. Esconder que estou na meia idade para que se me sinto fabulosa? Talvez não tenha o corpo que pedi a Deus – aquele que me vendem na revista de quem nunca teve uma gravidez e é taxada de perfeita! Tenho algumas rugas – a
genética é muito boa comigo, mas, acima de tudo, tenho um enorme potencial adormecido acordando aos poucos para uma nova fase da vida. E estou cheia de energia! E me sinto com 20 anos!

Meu intuito nesta coluna é tocar o ponto que conheço bem, o lado profissional da vida. Mas sempre com um viés de recomeço. Temos uma tendência a pensar que as coisas não vão funcionar, que notícia ruim dá ibope ao telejornal. Mas há tantos exemplos lindos de recomeços em todas as fases da vida!
Um exemplo disso foi a senhora Mary Kay Ash. Ela se viu numa situação difícil há muitos anos atrás, precisava sustentar seus filhos sozinha (quantas de nós não se identificam) e resolveu começar a vender cosméticos de porta em porta. Acabou criando um império provavelmente maior do que ela imaginava,
empoderando as mulheres e trabalhando o que temos de melhor como seres humanos – nossa autoestima!

Cito o caso dela (e não de tantas outras brasileiras exemplares) porque tenho um caso pessoal com a marca – quando a Mary Kay entrou no Brasil, acreditem, há muitos anos atrás, eu estava empregada mas infeliz. Acabei mandando um CV e me chamaram para uma palestra de apresentação. Como minha mãe já
conhecia a marca da Argentina e a qualidade dos produtos, na época, ela que tinha mais de 50 anos e trabalhava como administrativo do meu pai, acabou me acompanhando. E sabem o que aconteceu? Eu não me interessei, mas ela sim! E nessa idade, ela passou a ser revendedora MK, dentro de um dos
primeiros grupos de consultoras! E mudou a vida dela.

Ela não ficou rica, mas ganhou muito! Ganhou identidade, ganhou auto-estima, ganhou objetivos, ganhou alegria!
E ela é meu exemplo nesta jornada. Junto com meu pai são exemplos de recomeços em todos os sentidos. Mas isto eu vou deixar para outros textos!
Vamos juntas nesta jornada!
Beijos carinhosos,
Gabi

Gabriela é argentina de nascimento mas reside no Brasil há quase 40 anos. Há quase 20 anos atua na área de Recursos Humanos em empresas de diferentes segmentos, tanto nacionais como multinacionais, tanto start-ups como grandes corporações. Sempre foi uma apaixonada pelo lado estratégico da área embora sua maior competência seja estabelecer relacionamentos e conectar as pessoas, além de fomentar o diálogo. Há 10 anos adotou o vegetarianismo e, mais recentemente, o veganismo, por amor e respeito aos demais seres do Planeta. Hoje, além das diversas atividades que exerce, é mãe de Dimitri, um menino muito especial de 5 anos, e seu maior e melhor projeto!