Sorry... e boa sorte.

Eu te fiz sofrer. Te fiz sofrer pra caramba, eu sei. Mas na época não achei que seria tão ruim.

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Eu era jovem, estava passando por um momento único, uma fase meio hard. Era tonta e havia ligado um mode off e não pensava em nada além do meu umbigo. Aí você apareceu: tão legal, tão gentil, tão me querendo que eu me achei mais do que de fato era. Sorry.
Eu te fiz sofrer. Te fiz sofrer pra caramba, eu sei. Mas na época não achei que seria tão ruim. Eu estava no mundo, estava solta e aproveitando o momento sem valorizar quem me valorizava e querendo nada mais do que pensar no aqui e agora. Você era a pessoa mais incrível que eu já havia conhecido e eu estava na sua, mas também estava na minha e a minha era fazer o que desse na telha. E ai já viu, né? Deu no que deu.
Na época eu não esquentei. Até pensei “poxa, não queria entristecer ninguém”. Mas a vida andava agitada. Muita festa, muita farra, muita coisa acontecendo e eu querendo viver sem me importar com o que fazia, afinal era demasiadamente gostoso não pensar nas consequências do que aprontava com os outros.
Me desculpe.
Naquela época eu não tinha tanta maturidade, não sabia o quanto algumas atitudes machucam, não achei que fosse capaz de magoar alguém com intensidade. Talvez até tenha desconfiado, mas não me importava. Hoje me importo e é por isso que venho te pedir perdão, do fundo do meu coração, pelo passado que tivemos em comum.
A medida que fui mudando e fui amadurecendo percebi que não podia fazer o que fiz, mas percebi já o tendo feito e não havia mais como mudar o que passou.
E então eu tentei me consertar com os outros mas sem nunca me esquecer de quem eu já fiz sofrer. Eu passei por alguns bocados que me fizeram imaginar os maus bocados em que fiz outros passarem. A vida tem dessas coisas, ela dá voltas.
Você se evoluiu primeiro, você sempre foi uma pessoa incrível, você teve mais bondade, você sempre foi digno de alguém verdadeiramente digno quanto eu jamais fui.
Eu espero que tenha tocado sua vida. Espero que tenha me superado e espero que esteja tão bem que eu, hoje, possa verdadeiramente te pedir perdão e você pensar: “nossa, o que você me fez mesmo? Ah, lembrei! Aquela coisa chata! Imagina. Tá de boa. A vida tem sido boa. Te perdoo e boa sorte”. Espero que esteja tão bem que, se eu pedir pra gente pelo menos ser amigo, você sorria e diga que “não, obrigada. Já tenho bons amigos. Te perdoo mas não há mais espaço pra você em minha vida”. Vai me doer sim, mas assim saberei que você já me tem com indiferença e é isso o que espero que tenha te acontecido: que hajam tantas coisas maravilhosas na sua vida que a única coisa que você sinta é indiferença pelo que não te fez bem.
Sorry. E boa sorte.

*Photo credit: p-a-t-r-i-c-k via Visualhunt / CC BY
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Leva a vida com leveza enquanto tenta ser psicóloga, poetisa e dançarina de valsa. É apaixonada por viagens para todos os destinos, gatos de todas as raças, álcool em todas as doses e homens de todos os tipos.