Um dia eu vou embora...

Triste ficar aqui vendo que o chão está ruindo aos nossos pés...

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Triste ficar aqui vendo que o chão está ruindo aos nossos pés… Você não vê. Ou fingi que não vê… Não sei. Você nunca foi bom de fingir… e nem de enxergar a realidade gritando na sua frente.
Desse jeito você se afasta de qualquer responsabilidade de tentar consertar a base de nós dois…
Nós construímos tanto. Casa, família, sonhos. Futuro, presente e passado. Mas tudo isso não consegue mais segurar o nosso chão.
Tenho tantas dúvidas e tantos medos. E quanto mais me afogo em questionamentos, mais te seguro, te abraço tentando pegar pra mim uma parte da sua inocência. Ou do seu descaso.
Não enxergar o fim é mais fácil. Vejo como você dorme tranquilo. Seu sono não é assombrado por dores e mágoas latejantes. Nem por fantasmas de um futuro em que nosso amor não deu certo. O mais estranho é que tenho quase certeza de que nosso amor já não existe faz um tempo…

Talvez você não acredite que um dia terei coragem de sair. Fechar a porta e colocar nossa história em mais um livro de recordações. Seremos um álbum empoeirado na estante. Seremos um exemplo de casal perfeito que se provou um clichê inesgotável de imperfeição.

Um dia eu canso de segurar tudo sozinha enquanto você dorme seu sono regado a vinho envelhecido, decantado, cheirado e finalmente engolido.
Um dia…
Mas me falta coragem. Talvez me falte amor próprio. Talvez me falte um empurrãozinho.

Sinto que qualquer carinho faria meu sangue correr tão rápido que eu não teria mais como voltar para seus braços ibéricos.
Minha insônia fervilha paixão… Meu dia gela realidade.
Um dia…
Um dia esse chão vai ruir. Você vai me olhar perplexo enquanto eu saio pela porta. Minhas malas estarão prontas. Emoções organizadas, dores engolidas a seco.
Deixarei você com o seu vinho amargo e seus medos de amor.

 

 

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*Photo credit: PhotoCo. via Visual hunt / CC BY

 

Clara é escritora, divorciada, mãe, apaixonada, feliz. O seu maior prazer é deixar as palavras brincarem na sua cabeça e assumirem o controle. Recomeça todos os dias, se equilibrando em mágoas e amores.