Uma mulher fácil

Capítulo 36 – O Diabo que te carregue

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Algumas das suas, digamos, conhecidas – a maioria, para falar a verdade – está separada. Por que conhecidas e não amigas? Porque elas não são amigas e você gosta de dar nomes aos bois, mesmo que eles não sejam exatamente simpáticos.

Bem, lá está você no almoço de aniversário de uma dessas conhecidas, quando ouve o seguinte diálogo entre duas mulheres na faixa dos quarenta.

– Finalmente nós marcamos de nos encontrar.

– E aí? Como foi?

-Ai, foi maravilhoso! Nós saímos para jantar, depois ficamos conversando, eu disse tudo o que eu estou procurando num homem, ele concordou com tudo e depois me deixou em casa sem aquela conversa cafajeste de “não vai me convidar para subir?”!

– Ah, jura? Que fofo!

– Superfofo! É o fim da picada esses caras que pensam que a gente é fácil!

– Nem me fala! Mas… e aí? Rolou beijo?

– Um selinho. Ai, eu amei o encontro. Será que ele é minha alma gêmea?

Se qualquer pessoa ou animal olhasse para sua cara naquele momento veria um gigante ponto de interrogação. Você sai da mesa – naquele conclave de doidas ninguém percebe sua ausência –, vai até o banheiro e se olha no espelho. O que você vê? O quê?

Senhoras e senhores: uma mulher fácil! Sim, você é uma mulher fácil – e se orgulha disso. É incrível como mulheres que já passaram, e muito, da adolescência se comportam como se fossem virginais, inocentes e retardadas moçoilas. Se você sair com um homem que te atrai e ele não sugerir, no mínimo, um amasso convincente depois do encontro, você ficará bastante decepcionada.

Qualé! Você não tem mais quinze anos para ficar de mãozinha dada no parque – embora isso possa ser interessante. É bonito ter desejo, é nobre assumir o desejo, é vitalizante saciar o desejo. E isso não tem nada a ver com ser agressiva: você é uma mulher carinhosa, é delicada e é fácil. Você é fácil para si mesma.

No entanto, suas conhecidas têm um comportamento hipócrita, duplamente hipócrita: elas mentem para o outro e mentem para si mesmas. Um encontro cujo saldo é um selinho é algo satisfatório? Selinho a gente dá na Hebe, minha filha! E algum homem no mundo permanece interessante depois de ter sido classificado como “superfofo”?

Qualé! Se sua conhecida tivesse vergonha na cara, estaria chorando do papel de imbecil que fez. Você poderia dizer a ela:

“Meu amor, seja uma mulher fácil! Seja fácil para os seus desejos, para as suas necessidades, seja fácil para você mesma! Isso não significa sair por aí transando como todo mundo, mas sim aceitar seu desejo e, com responsabilidade, satisfazê-lo, à medida que ele for bom para você. Você pode dizer não ou sim, contanto que seja você quem diga isso e não o senhor preconceito (seu e dos outros). Então, seja fácil para si mesma e seja feliz, mulher!”

Você começa a dar risada sozinha no banheiro. Ao voltar para a mesa, percebe que as duas comadres continuam ainda falando do tal encontro. Com os ouvidos aguçados, você pesca o chavão:

– Quando será que ele vai me ligar?

Você levanta os olhos pro céu e pensa em dizer: “Nunca. Ele não vai te ligar nunca porque ele saiu com uma mulher de quarenta e encontrou uma bozolina de doze”.

Mas você sabe que seria inútil dizer qualquer coisa, por isso permanece calada. Ela, infelizmente, não é uma mulher fácil.

 

 

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**Esse conteúdo foi originalmente publicado no livro: O Diabo que te Carregue, da autoria de Stella Florence e foi reproduzido aqui com a devida autorização e revisão da autora.

Stella Florence é escritora, autora dos sucessos “Os Indecentes”, "32", “Hoje acordei gorda”, entre outros. Stella é cronista veterana e parceira do Exnap! www.stellaflorence.net