Uma questão de escolha.

Tudo o que diz respeito às finanças pessoais gira em torno das nossas escolhas. E é justamente neste ponto, o das escolhas, que tudo também pode se tornar difícil, pois como sabemos dos estudos da Economia Comportamental, nem sempre fazemos escolhas conscientes.

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Ao longo deste mês de agosto, estive envolvido com uma ferramenta, ou uma técnica, que promete uma estratégia melhor de comunicação para conosco e para com as outras pessoas.

Trata-se da Comunicação Não-Violenta (CNV), a qual foi desenvolvida pelo psicólogo norte americano, Marshall Rosenberg A explicação mais didática do que pretende a CNV encontrei no site wikipedia: “aqueles que se apóiam na Comunicação Não-Violenta consideram que todas as ações estão originadas numa tentativa de satisfazer necessidades humanas, mas tentativas de fazê-lo evitando o uso do medo, da vergonha, da acusação, da idéia de falha, da coerção ou das ameaças.

O ideal da CNV é conseguir que nossas necessidades, desejos, anseios e esperanças não sejam satisfeitos às custas de outra pessoa.”Vocês podem então estar se indagando, onde, afinal, a CNV cruza com as finanças pessoais?

De início também me fazia esta pergunta, apesar de, no fundo, minha intuição já sinalizar que finanças pessoais e CNV são duas formas parecidas de olhar para a mesma questão. Mas, a comprovação ocorreu para mim durante um workshop que em um determinado momento, a facilitadora do workshop pediu que escrevêssemos, em uma folha de papel, a seguinte frase: “eu não gosto de…” Imediatamente eu já sabia como completaria a frase: “eu não gosto de acordar cedo.” Alias, eu detesto acordar cedo. Em seguida, a facilitadora nos pediu que riscássemos “não gosto” e escrevêssemos “escolho”. Então minha frase ficou: “eu escolho acordar cedo!”

Este talvez seja o ponto central da intersecção entre CNV e finanças pessoais: as escolhas.

Tudo o que diz respeito às finanças pessoais gira em torno das nossas escolhas. E é justamente neste ponto, o das escolhas, que tudo também pode se tornar difícil, pois como sabemos dos estudos da Economia Comportamental, nem sempre fazemos escolhas conscientes.

Por exemplo, não é o banco que nos envia a fatura do cartão de crédito todo mês. Fomos nós que escolhemos efetuar o pagamento de nossas contas por meio do cartão de crédito. Poderíamos ter escolhido outro meio de pagamento. Outro exemplo: podemos escolher não acender a luz em nossas casas e termos apenas luz de velas, ou Marshall Rosemberg sita em seu livro o exemplo de um aluno que disse a ele ter sido ameaçado de morte, por um assaltante com uma arma na mão, caso não se despisse imediatamente. Ainda neste caso, afirma Rosemberg, para este aluno foi uma questão .

Então, como ficarmos mais tranqüilos na hora de escolhermos como lidarmos com nosso dinheiro, se sabemos que nem todas as nossas escolhas são conscientes ou que muitas das nossas escolhas parecem não ser escolhas?

Em seu livro “Qual é a tua obra? – Inquietações Propositivas Sobre Ética, Liderança e Gestão”, o filósofo Mario Sergio Cortella, ao tratar da ética afirma que quando fazemos escolhas precisamos passar por três questões simples: Quero?, Posso?, Devo? Se obtivermos três respostas positivas, então a nossa escolha seguirá o caminho do desenvolvimento pessoal e coletivo.

Imaginemos então uma pessoa que acaba de se separar e que, até aquele momento de sua vida, havia escolhido trabalhar em casa, para os afazeres domésticos e que, agora, pensa em voltar a trabalhar. Tenho certeza de que muitas questões estão vindo à cabeça dessa pessoa.

Vamos nos utilizar da CNV evitando o uso do medo, da vergonha, da acusação, da idéia de falha, da coerção ou das ameaças, para ajudar essa pessoa.Quero voltar ao mercado de trabalho e ser protagonista da minha vida financeira?

Sim! Tudo o que está no meu alcance consigo equacionar para eu voltar ao mercado de trabalho (Posso?)? Sim! Devo ser a pessoa que gera renda para satisfazer as minhas Finanças pessoais começa com uma escolha: a escolha de ser protagonista da própria vida financeira. Sentir medo ou vergonha e até mesmo falhar faz parte do desenvolvimento.

Mas devemos sempre nos utilizar das três perguntas para não cairmos nas armadilhas da acusação, da coerção ou da ameaça de terceiros, pois somente nós, em nossas escolhas diárias, é que conseguimos que nossas necessidades, desejos, anseios e esperanças sejam satisfeitos.

Flávio H. Paulino é filho, marido e pai em gestação. Entre suas atividades, é orientador financeiro pessoal. Escolheu, porque quer, pode e deve, informar seu e-mail fh@flaviopaulino.com.br para contatos.