Viagem solo

Normalmente as melhores lembranças que tenho de viagens são as surpresas que apareceram no caminho. A descoberta de um restaurante charmoso, conhecer pessoas legais ou assistir a um show que não estava programado. É claro que tudo isso pode acontecer quando você está acompanhado, mas quando você viaja sozinha você fica mais aberta ao novo.

pixabay mala

Viajar é uma das experiências mais ricas que se pode ter. Não precisa ser longe, nem precisa ser caro. Também não precisa ser acompanhado. Um dos significados da palavra viajar é a expressão “peregrinar”, e isto, normalmente é um percurso solitário.
Faço viagens solo há bastante tempo. Nem sempre por escolha, mas pelo desejo de aproveitar umas férias, mesmo que outras pessoas não possam me acompanhar. Afinal, nem sempre dá para conciliar agendas e a oportunidade de conhecer um novo lugar, outras culturas e costumes não deve ser atrelado a ter ou não uma companhia.
Curiosamente, o fato de viajar só não é visto por todos desta forma. Lembro-me que, ao fazer uma viagem sozinha, sem o marido, a primeira pergunta que me faziam era: “Ele deixou?” Sempre achei estranho este tipo de pergunta, afinal, era o meu marido e não meu feitor! Por que então minha viagem deveria ter um aval para acontecer? É claro que preferíamos passar um período de descanso juntos, mas nem sempre era possível, então mais do que justo que os planos não fossem cancelados por este motivo. Enquanto fui casada tanto eu quanto ele fizemos viagens solo, sem nenhum problema. Não posso dizer que viajar sozinha é melhor que acompanhada.
Simplesmente é diferente. Nem melhor, nem pior. Ambas as experiências tem seu lado bom e o não tão bom. Alguns problemas podem ser evitados ou neutralizados, de forma que não atrapalhe o passeio, descanso ou diversão. A idéia deste texto é passar algumas destas dicas. Evidentemente, não são conselhos definitivos e, estou certa, que outras experiências surgirão. Apenas relaciono algumas questões que devem ser pensadas para evitar dissabores. Também não posso dizer que já passei por todas estas situações.
Algumas eu escutei, outras vivenciei. Sempre tirando um lado positivo, e incorporando à minha vida quando acrescentava.
Ao decidir por uma viagem sozinha, deve-se pensar:

1) Qual o objetivo da viagem? Passeio, Lazer? Cultura? Diversão? Compras?
Tenha isso bem claro, assim fica mais simples definir o roteiro. As viagens solitárias costumam voltar-se para momentos de deleite e introspecção, com visitas a museus e galerias, sem ter que fazer o outro passar por uma experiência que, para ele, pode ser um verdadeiro calvário. Perder-se em exposições e ficar o tempo desejado apreciando o que se tem interesse não tem preço! Nada pior que estar em um local e sair de forma apressada porque sua companhia está com fome ou não tem o mesmo interesse. Isso estraga o passeio dos dois!
Se a proposta é fazer compras, poder escolher, provar, experimentar o que tiver vontade, sem sucumbir a suspiros de impaciência ou olhares de reprovação com o valor da conta. Você estabelece os seus limites.

2) Trace o roteiro: pesquise as atrações da cidade que estará visitando, procurando as dicas tradicionais e os eventos que estiverem acontecendo na cidade enquanto estiver por lá. Não faça um roteiro muito rigoroso. Deixe tempo para que a cidade te surpreenda e apresente seus segredos.

3) Escolha muito bem a localização: o local onde ficará hospedada deve ser limpo e, principalmente, seguro. Não prenda-se somente a valores de hospedagem, mas busque informações sobre segurança para caminhar de noite, pegar taxi ou utilizar outros meios de transporte. Não é interessante que o local seja afastado das principais atrações, a não ser que o objetivo da viagem seja de isolamento mesmo. Proximidade com o metrô é sempre muito bem vindo. Se chegou a um hotel e não teve uma boa impressão, mude!
Siga sua intuição.

4) Preocupe-se com a programação noturna. Não é porque você está só que vai jantar no restaurante do hotel ou ficar nos arredores.
Aproveite para sair e conhecer o que a cidade tem de bacana. Ah, mas eu estarei sozinha! E daí? A não ser que você tenha um irmão siamês e nasceu grudada nele, nada te impede de sair. Já fui a bares, shows, concertos etc. no exterior sozinha, sem problemas. Evidentemente, afaste-se de encrencas (bêbados, paqueradores etc.) que a diversão será ótima. As pessoas não ficam reparando que você está sozinha.
Esta preocupação é sua!

5) Seguro viagem: segurança nunca é demais, então algumas dicas básicas: não viagem sem auxílio saúde e leve os remédios (dor de cabeça, cólica, alergias etc.) que toma normalmente para não ter problemas. Mas também não é necessário ser uma farmácia ambulante, apenas um kit de sobrevivência. Procurar farmácia e hospital durante uma viagem e, ainda por cima, sozinha pode ser bem desagradável.

6) Informe seus passos: deixe amigos e familiares cientes de onde estará em cada etapa da viagem e notifique as mudanças de planos. Não precisa ser um boletim completo, mas dê notícias de forma regular.

7) Documentos: tenha cópia de seus documentos (ou dados deles) de forma acessível (celular, tablet, anotações etc.). Caso perder algum, fica mais fácil obter ajuda para conseguir ajuda. O mesmo vale para cartões de crédito.

8) Permita-se conhecer: ao viajar sozinha você fica mais aberta para conhecer novas pessoas, afinal a interação é necessária. Já fiz muitos amigos viajando e mantenho contato com vários deles até hoje. Amplie seus horizontes! Não tenha medo de perguntar e conversar com as pessoas.

9) Não viaje com muita bagagem. Sozinha será mais difícil carregar as malas e se elas forem muitas e pesadas a situação ficará ainda mais complicada. Esta parte é bem difícil para algumas pessoas, mas treine o desapego. Conheço pessoas que saem do país com duas malas lotadas!
Se a mala está cheia, o que você trará de lembranças? Leve pouca roupa, o suficiente para a programação proposta e, se for preciso, novas peças podem ser trazidas na volta. Nesta situação, vale utilizar lavanderias no caminho, se for preciso.

10) Conheça minimamente os hábitos locais. Nada mais desagradável que cometer gafes ou ser barrada em igrejas porque está usando uma blusa muito decotada ou porque a cabeça está descoberta.
Respeito os costumes locais, afinal você é que não pertence ao local.

11) Tenha ao menos um dos equipamentos com você: celular, tablet ou notebook. Não é para ficar conversando com as pessoas, checando os e-mails da empresa ou deixar a cabeça onde saiu. Mas é bem reconfortante saber que, se der saudade, se ocorrer algum problema, em caso de urgência, você não está sozinha! Muitas vezes passeava o dia todo e, ao final da tarde, ia para o hotel descansar um pouco e conversar com as pessoas que estavam online. Isso liquida com a sensação de isolamento que ousar aparecer para atrapalhar seu passeio. Como nem sempre dá ou não vale a pena contratar um serviço de telefonia, a saída é apelar para locais que tenham wi-fi aberto como cafés, restaurantes, hotéis etc. As bibliotecas são excelentes locais para utilizar wi-fi e, na maioria das vezes, são locais com exposições e atrações bem interessantes. Muitas vezes viajo com a minha câmera fotográfica. Ela mostra-se uma ótima companhia e ainda registro fotografias dos locais que visito.
E finalmente, liberte-se. Permita-se descobrir coisas novas.
Experimentar pratos diferentes, culturas, costumes. Conheça pessoas e lugares novos. Viva esta experiência.

Normalmente as melhores lembranças que tenho de viagens são as surpresas que apareceram no caminho. A descoberta de um restaurante charmoso, conhecer pessoas legais ou assistir a um show que não estava programado. É claro que tudo isso pode acontecer quando você está acompanhado, mas quando você viaja sozinha você fica mais aberta ao novo.

Liliana Giusti Serra é bibliotecária, possui interesse e muita curiosidade sobre tecnologia, fotografia, viagens, natureza, livros, rock, música clássica, culinária e demais coisas divertidas.