Você está sendo sujeito ou objeto?

Te convido a questionar o que você tem tolerado na sua vida sexual.

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Juliete dizia pra quem estivesse disposto a ouvir que era uma mulher muito bem resolvida na cama, obrigada, de nada.

Ela fazia e acontecia. Convivia com o Clube do Bolinha, e dizia que ser amiga de mulher era chato demais, que se sentia mais a vontade com os homens. Juliete nunca tinha tido um orgasmo, mas fazia questão de ler todos os artigos possíveis sobre “como enlouquecer um homem na cama”, “como apimentar a relação”, “segredos pra um boquete perfeito”.

Os homens que namoravam Juliete achavam o máximo essa desenvoltura toda na cama. Ela dizia que não gostava de preliminar nem de sexo oral, só queria que eles metessem logo. E eles metiam. Usavam seu corpo até gozarem, e viravam pro lado, capotados. Claro que não faziam nada pra dar prazer a ela… desde o primeiro momento ela deixava claro que o Rei ali era o homem. Ela só queria servir.

Infelizmente, muitas vezes ela sentia dor durante a penetração, mas fingia que estava tudo bem. Gemia, gritava, pedia mais, fingia orgasmos múltiplos… ela tinha aprendido todo o repertório de uma boa atriz pornô. Às vezes tinha cândida e precisava usar pomada e tomar Fluconazol. Achava isso normal.

É claro que tomava pílula anticoncepcional pra poder transar com o namorado sem camisinha. Ele devia sentir prazer! Afinal, que graça tem chupar bala com papel, não é mesmo?

Depois de 1 ano de relacionamento, apareceram várias verrugas na vulva da Juliete. Foi a ginecologista e recebeu o diagnóstico de HPV, depois de fazer o exame. Além do HPV ela também apresentou clamídia, outra infecção sexualmente transmissível.

O namorado terminou com Juliete assim que ela contou das doenças, dizendo que ele não tinha nada (mas nunca havia feito exame, é claro). Caíram várias fichas: Juliete se comportou como um verdadeiro objeto sexual, porque acreditou que assim ia “prender” esse homem. Que toda sua fodeza e disponibilidade de se pendurar no lustre ia polpá-la do terrível pesadelo de estar solteira, sozinha, abandonada… credo.

Pelo que vimos na história, não adiantou! Ela acabou entendendo que o moço tinha se engraçado com outras mulheres, que – coitadas! – também deviam se comportar como objetos sexuais para outros homens. E Juliete acabou sozinha, doente, culpada, se sentindo um lixo e em meio a uma crise existencial.

Usei o exemplo da Juliete, mas isso acontece com Marias, Brunas, Steffanies… Mulheres são educadas para não conhecerem seu próprio corpo nem se responsabilizarem pelo seu prazer. É tido como normal não gozar de verdade, então treinamos como fingir orgasmos. Achamos normal sentir uma dorzinha durante a penetração, que muitas vezes é feita à base do cuspe, já que o outro “nos desejava tanto agora” que não teve paciência de nos deixar excitadas.

Isso não é ser sujeito sexual. É ser objeto. Uma mulher que é sujeito sexual, como a Letícia, se dedica toda semana pelo menos por uma hora a se dar prazer. Ela se toca por todo o corpo, conhece de cor todas as áreas mais sensíveis e não tem vergonha de ensinar esse conhecimento para os parceiros que ela encontra pelo caminho.

Letícia só transa se estiver com Tesão, com T maiúsculo mesmo. Respeita seu tempo, e encontra na sua sexualidade uma forma de compartilhar prazer, ter orgasmos, relaxar, aprender mais sobre si e sobre o outro, desbravar cada pedacinho do seu corpo e experimentar as mais ousadas fantasias.

Ela já tinha sido Juliete, por anos. Só sabia viver pelo prazer do outro. Mas bastou se olhar no espelho e ver que ali existia uma mulher cheia de vontades, desejos e necessidades que não estavam sendo atendidas, que começou a dar um basta em tanta dor, sofrimento e submissão. Até porque, percebeu que não dava muito certo com essa história de jogos de dominação e submissão. Era bem baunilha mesmo.

O quão Juliete você já foi? Ou ainda se vê como um corpo onde o sexo simplesmente acontece, não de onde ele surge com luxúria? Dar atenção â sua vida sexual faz bem pra saúde e tem os temíveis efeitos colaterais de: liberdade, independência, autoconfiança, autoestima elevada e amor próprio.

 

 

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Olívia Barbosa é uma mulher apaixonada por sexualidade. Tanto que foi a primeira brasileira a se formar como Sex Coach, e hoje é pioneira da Nova Revolução Sexual aqui no país. Trabalha individualmente com mulheres na criação de um espaço seguro para que ocorra uma linda libertação sexual. Atende online, dá consultoria sobre medidas pra se tornar o sexo mais seguro, palestras pelo youtube e se mete a escrever. Estuda e vivencia o Sagrado Feminino em toda sua potência, estando em círculo de mulheres sempre que possível.